Sunday, September 24, 2006


Equinócio de Primavera
Tem poesia brotando
como flor da Estação
há poetas nas ruas
crianças nos quintais
rituais de encanto das borboletas
Equinócio da Primavera
cores do desejo
fazer festa para o Sol em sua metade do Dia
dançar para a Lua na realeza da Noite
ajeitar o guarda-roupa
estendendo os cetins
vestir-se ao mortal que se entregou aos deuses
fazer oferendas ao rio e ao Mar
convidar os pirilampos para enfeitar o jardim
esparramando pólen
reproduzindo as pétalas
acariciando a pele
do direito, gente
do avesso, bicho
nos olhos a Lua
no céu da boca as estrelas
assim deitar e sonhar
e levantar-se para o amanhecer
esparramando-se pela Terra
enquanto houver saia para dançar
enquanto houver lenha para a fogueira
enquanto houver vinho na taça
e só de amor fazer história
e da liberdade fazer amor

Anna
23.09.2006

Tuesday, July 11, 2006


Consagrar...

cada pulsação,
cada canção,
cada olhar,
cada jeito...

o par de asas

os cheiros,
as cores,
a cidade,
a mãe...

o par de asas

o mar,
as montanhas,
rios e cachoeiras,
o asfalto empoeirado...

o par de asas

o avô,
a matriarca,
meus fios de cabelos,
o jardim da casa...

o par de asas

o tesão,
o beijo,
as mãos,
e toda dança...

o par de asas

a arrumação
a desarrumação
a voz,
a audição...

o par de asas

o desassossego,
o plano,
a renda da saia,
o bordado da bisa...

o par de asas

os passos suaves,
as unhas felinas,
o pêlo da pele,
o amor selvagem...

o par de asas


Anna
07.07.2006

Monday, June 12, 2006




Alma Gitana

Sopro de Vento
Luz,
Tempestade,
Alvoroço do Tempo,
Quebrando fronteiras,
Confirmando o destino;

Gato arredio de olhos amarelos,
Pêlo macio,
Telhado agora é pouco,
Silêncio da noite,
Uivos rasgando o Ar,
Assobiando para a Lua;

Concerto de uma nota só,
Dança de quatro pernas,
Estrelas nos olhos,
Fogueira profana,
Que arde e não queima;

Estilhaços de vinho,
Ponta de punhal,
Colares, pingentes,
Tecidos coloridos como a Natureza,
Reverenciam a Vida, celebram liberdade...

Anna
13.06.2006

Monday, May 01, 2006


Ventre da Grande Mãe

Lua nua
contraindo-se no céu
em todas as suas fases
como mulher das estrelas
como rainha do astro rei
contemplando as poesias dos mortais
brilhando nos olhos dos poetas;

Terra mãe Natureza,
filha e neta vêm de seu ventre,
folha da árvore e pétala de flor,
chão de estrada para os passos,
pegadas marcadas na história;

Cada parte do teu corpo,
é celeste, é de água, é de terra, é de ar,
é de bicho, é de pedra, é de raízes, é de gente,
brincadeiras de ondas no mar,
rodopios nas estações do ano,
pinta o Sol, desenha as nuvens;

E é do mistério da Lua que vem teu silencio,
que brilha teus olhos,
que vira mulher,
enfeitiça o andarilho da estrada,
o caçador de palavras,
acorda os felinos, a coruja e as cobras,
apronta o espetáculo da noite,
com um véu cintilante de estrelas,
para celebrar o amor de rainha e de rei,
ao amanhecer...

Anna
24.04.2006

Wednesday, April 12, 2006

Criaturas

Olhares, sorrisos, gestos,
gente por todos os lugares,
por todos os cantos da Grande Casa,
onde há cores, das flores, dos bichos,
onde há movimento da Vida,
onde mora toda a gente,
gente que passa e olha as cores,
que sente o perfume das flores,
gente que ri, e que chora,
gente que toca, e que sente
gente que canta, e que ouve,
vida por todos os cantos,
crias da Mãe Natureza

Anna
10.04.2006

Friday, March 10, 2006


Mãe Terra II

Terra, solo sagrado,
a teia onde tecemos a vida,
onde plantamos,
onde colhemos,
onde nos alimentamos,
onde bebemos,
onde amamos;
Façamos de nossos olhos os teus vigias, Mãe!
façamos de nossas faces, o teu espelho,
de nossas mãos, tuas ferramentas,
de nossas palavras, tuas ações,
de nossas sementes, o teu jardim...

Anna
10.03.2006

Wednesday, March 08, 2006


" Mães de minha mãe,
Antepassadas corajosas,
Guiai minhas mãos nas vossas,
Fazei-nos lembrar
De como acender a lareira
E manter sua chama viva"
(palavras celtas)

Que brilhai a jóia mais rara que me trouxe, dentro dos olhos meus,
Que todas as cores que teus olhos viram, mesclem-se à minha volta,
Que tudo que tuas mãos costuraram, virem o tecido que cobre minha cama,
Que os teus cozidos, sejam enfeitados pelo manjericão do meu quintal,
Que os fios dos teus cabelos, continue a ser o manto das tuas gerações,
Que a saia que rodaram, siga o ritmo da canção que danço,
Que tuas poesias, sejam minhas palavras de louvor,
Que teus sorrisos, perpetuem minha gargalhada pela vida,
Que tuas espadas de batalha, sejam a ponta da minha lança,
Que as flores que recebiam dos amores teus, sejam as sementes do meu jardim,
Que teus pés descalços e arredios, continuem a ensinar-me pisar na terra,
Que tuas lágrimas de cansaço, hoje salguem meu rosto de sensibilidade,
Que teus braços de trabalho e abraços, através dos meus abracem a filha tuaS,
Que tuas dádivas em viver com a natureza, sejam minha magia...

Anna
02.02.2006