
Sagrado
Mesmo que não me reconheças mais entre os mortais,
minha poesia continua a esparramar-se entre as frestas do muro,
entre as ramas que trepam pelos tijolos,
a procurar o sabor da terra,
a experimentar as cores das flores,
a saborear o néctar num toque de língua no beijo do beija-flor,
a semear de silencio os cantos da estrada,
a esmo na rota do tempo;
Em todos os poetas há o toque das canções,
a melodia suave que passeia em notas por todas estações,
no tilintar das gotas de água que descem pelo céu,
e deitam na terra adentrando nas raízes,
a regá-las para o anuncio do Sol,
adornando-as para encantar os olhos que a espreitam,
quando brotam em forma-flor;
Nesse ciclo de fertilidade onde germinam versos,
Nesse ciclo de fertilidade onde germinam versos,
onde desabrocham sonhos novos,
quando a poeta entra em si,
e ouve a madrugada contemplada pelas palavras,
inspirada pela Mãe do céu noturno, a rainha, amante do astro-rei
que conhece os mistérios e segredos,
que lê nos pensamentos,
da viajante adormecida,
que viram poemas acordados pela nova estação;
Aparece no jardim, nua
vinda pela escada de trepadeira,
veste-se apenas de seda-do-bicho,
alada de desejos, adentra na sala
aquece-se na lareira,
bebe tinto da bebida na taça,
e pousa suave em tua pele,
toma do mel de tua alma,
em dança de silêncios,
as asas se entrelaçam e esparramam pólen por todas paredes,
depois de colorir o jardim,
fica o colibri a proteger as flores,
e no tapete vermelho,
uma flor verbena...
Anna
23.07.2007