Monday, July 23, 2007


Sagrado


Mesmo que não me reconheças mais entre os mortais,

minha poesia continua a esparramar-se entre as frestas do muro,

entre as ramas que trepam pelos tijolos,

a procurar o sabor da terra,

a experimentar as cores das flores,

a saborear o néctar num toque de língua no beijo do beija-flor,

a semear de silencio os cantos da estrada,

a esmo na rota do tempo;


Em todos os poetas há o toque das canções,

a melodia suave que passeia em notas por todas estações,

no tilintar das gotas de água que descem pelo céu,

e deitam na terra adentrando nas raízes,

a regá-las para o anuncio do Sol,

adornando-as para encantar os olhos que a espreitam,

quando brotam em forma-flor;

Nesse ciclo de fertilidade onde germinam versos,

onde desabrocham sonhos novos,

quando a poeta entra em si,

e ouve a madrugada contemplada pelas palavras,

inspirada pela Mãe do céu noturno, a rainha, amante do astro-rei

que conhece os mistérios e segredos,

que lê nos pensamentos,

da viajante adormecida,

que viram poemas acordados pela nova estação;


Aparece no jardim, nua

vinda pela escada de trepadeira,

veste-se apenas de seda-do-bicho,

alada de desejos, adentra na sala

aquece-se na lareira,

bebe tinto da bebida na taça,

e pousa suave em tua pele,

toma do mel de tua alma,

em dança de silêncios,

as asas se entrelaçam e esparramam pólen por todas paredes,

depois de colorir o jardim,

fica o colibri a proteger as flores,

e no tapete vermelho,

uma flor verbena...


Anna
23.07.2007