Thursday, August 02, 2007
Monday, July 23, 2007

Sagrado
Mesmo que não me reconheças mais entre os mortais,
minha poesia continua a esparramar-se entre as frestas do muro,
entre as ramas que trepam pelos tijolos,
a procurar o sabor da terra,
a experimentar as cores das flores,
a saborear o néctar num toque de língua no beijo do beija-flor,
a semear de silencio os cantos da estrada,
a esmo na rota do tempo;
Em todos os poetas há o toque das canções,
a melodia suave que passeia em notas por todas estações,
no tilintar das gotas de água que descem pelo céu,
e deitam na terra adentrando nas raízes,
a regá-las para o anuncio do Sol,
adornando-as para encantar os olhos que a espreitam,
quando brotam em forma-flor;
Nesse ciclo de fertilidade onde germinam versos,
Nesse ciclo de fertilidade onde germinam versos,
onde desabrocham sonhos novos,
quando a poeta entra em si,
e ouve a madrugada contemplada pelas palavras,
inspirada pela Mãe do céu noturno, a rainha, amante do astro-rei
que conhece os mistérios e segredos,
que lê nos pensamentos,
da viajante adormecida,
que viram poemas acordados pela nova estação;
Aparece no jardim, nua
vinda pela escada de trepadeira,
veste-se apenas de seda-do-bicho,
alada de desejos, adentra na sala
aquece-se na lareira,
bebe tinto da bebida na taça,
e pousa suave em tua pele,
toma do mel de tua alma,
em dança de silêncios,
as asas se entrelaçam e esparramam pólen por todas paredes,
depois de colorir o jardim,
fica o colibri a proteger as flores,
e no tapete vermelho,
uma flor verbena...
Anna
23.07.2007
Sunday, April 01, 2007
Outono: recomeçoOutono, tempo das folhas
das páginas das árvores;
nesse tempo que sopra fresco nos pensamentos,
trazendo o brilho bonito do Sol da manhã,
sentirmos a liberdade em fazer parte dos ciclos naturais;
deveríamos olhar mais para as estrelas
caminhar pelas ruas a sentir o aroma das glicínias que desabrocham nos muros das casas,
guardar a gota de orvalho amanhecida nas folhas;
tocar mais os fios de nossos cabelos,
acariciar nossas peles,
sentindo as mudanças a cada estação;
perceber as cores diversas que movem-se em borboletas, em roupas de gente, em pétalas;
tudo transforma-se, assim como as folhas que amarelam tocadas pelos raios de sol,
tudo começa, e recomeça,
mas preserva-se a beleza de cada tempo,
de cada estação...
Anna
22.03.2007
Wednesday, February 21, 2007

Poetas
Chega o poeta, trazendo em sua nau o fio dourado que tece a manta dos deuses
a manta que cobre os poetas
que rouba-lhes as horas
que toma-lhes os pensamentos
que fisga-lhes o coração
e muda a direção dos seus olhares;
Como a deusa que tecia o manto dourado,
como a Noite proclamada por seu véu de estrelas,
como a fúria de Ártemis ao preservar a Vida,
assim ficaram poetas, eternizando imagens, sabores e cores;
Por isso a poesia é tocada pelas ondas que batem no casco da nau,
é tocada pela vista do horizonte,
é tocada pelas memórias deixadas pelos capitães em seus diários de bordo,
como a tocar a água salgada do oceano, de mesmo sabor da que escorre pela face,
como a pisar na terra com a festa do caís,
como ser tocada nas canções;
Na Idade Média, poetas eram feiticeiras,
aquelas que viam além do que os olhos podem ver,
e falavam coisas que não tinham tradução,
eram queimadas com seus livros e poções,
e entre as chamas ardentes, ainda celebravam a Natureza reverenciando as salamandras na fogueira;
Versos eternizam a história e tomam forma de poesia,
viajam por mares e céus,
instigam, percorrem, encorajam os segredos humanos,
beijam, tocam, transam com os deuses,
adormecem em nuvens,
despertam nos jardins coloridos de Sol,
tomam o Vento na rede da nau...
Anna
Chega o poeta, trazendo em sua nau o fio dourado que tece a manta dos deuses
a manta que cobre os poetas
que rouba-lhes as horas
que toma-lhes os pensamentos
que fisga-lhes o coração
e muda a direção dos seus olhares;
Como a deusa que tecia o manto dourado,
como a Noite proclamada por seu véu de estrelas,
como a fúria de Ártemis ao preservar a Vida,
assim ficaram poetas, eternizando imagens, sabores e cores;
Por isso a poesia é tocada pelas ondas que batem no casco da nau,
é tocada pela vista do horizonte,
é tocada pelas memórias deixadas pelos capitães em seus diários de bordo,
como a tocar a água salgada do oceano, de mesmo sabor da que escorre pela face,
como a pisar na terra com a festa do caís,
como ser tocada nas canções;
Na Idade Média, poetas eram feiticeiras,
aquelas que viam além do que os olhos podem ver,
e falavam coisas que não tinham tradução,
eram queimadas com seus livros e poções,
e entre as chamas ardentes, ainda celebravam a Natureza reverenciando as salamandras na fogueira;
Versos eternizam a história e tomam forma de poesia,
viajam por mares e céus,
instigam, percorrem, encorajam os segredos humanos,
beijam, tocam, transam com os deuses,
adormecem em nuvens,
despertam nos jardins coloridos de Sol,
tomam o Vento na rede da nau...
Anna
21.02.2007
(a imagem é de: balsa, doolin, clare, irlanda)
Sunday, September 24, 2006

Equinócio de Primavera
Tem poesia brotando
como flor da Estação
há poetas nas ruas
crianças nos quintais
rituais de encanto das borboletas
Equinócio da Primavera
cores do desejo
fazer festa para o Sol em sua metade do Dia
dançar para a Lua na realeza da Noite
ajeitar o guarda-roupa
estendendo os cetins
vestir-se ao mortal que se entregou aos deuses
fazer oferendas ao rio e ao Mar
convidar os pirilampos para enfeitar o jardim
esparramando pólen
reproduzindo as pétalas
acariciando a pele
do direito, gente
do avesso, bicho
nos olhos a Lua
no céu da boca as estrelas
assim deitar e sonhar
e levantar-se para o amanhecer
esparramando-se pela Terra
enquanto houver saia para dançar
enquanto houver lenha para a fogueira
enquanto houver vinho na taça
e só de amor fazer história
e da liberdade fazer amor
Anna
23.09.2006
Tuesday, July 11, 2006

Consagrar...
cada pulsação,
cada canção,
cada olhar,
cada jeito...
o par de asas
os cheiros,
as cores,
a cidade,
a mãe...
o par de asas
o mar,
as montanhas,
rios e cachoeiras,
o asfalto empoeirado...
o par de asas
o avô,
a matriarca,
meus fios de cabelos,
o jardim da casa...
o par de asas
o tesão,
o beijo,
as mãos,
e toda dança...
o par de asas
a arrumação
a desarrumação
a voz,
a audição...
o par de asas
o desassossego,
o plano,
a renda da saia,
o bordado da bisa...
o par de asas
os passos suaves,
as unhas felinas,
o pêlo da pele,
o amor selvagem...
o par de asas
Anna
07.07.2006
Monday, June 12, 2006

Alma Gitana
Sopro de Vento
Luz,
Tempestade,
Alvoroço do Tempo,
Quebrando fronteiras,
Confirmando o destino;
Gato arredio de olhos amarelos,
Pêlo macio,
Telhado agora é pouco,
Silêncio da noite,
Uivos rasgando o Ar,
Assobiando para a Lua;
Concerto de uma nota só,
Dança de quatro pernas,
Estrelas nos olhos,
Fogueira profana,
Que arde e não queima;
Estilhaços de vinho,
Ponta de punhal,
Colares, pingentes,
Tecidos coloridos como a Natureza,
Reverenciam a Vida, celebram liberdade...
Anna
13.06.2006
Monday, May 01, 2006

Ventre da Grande Mãe
Lua nua
contraindo-se no céu
em todas as suas fases
como mulher das estrelas
como rainha do astro rei
contemplando as poesias dos mortais
brilhando nos olhos dos poetas;
Terra mãe Natureza,
filha e neta vêm de seu ventre,
folha da árvore e pétala de flor,
chão de estrada para os passos,
pegadas marcadas na história;
Cada parte do teu corpo,
é celeste, é de água, é de terra, é de ar,
é de bicho, é de pedra, é de raízes, é de gente,
brincadeiras de ondas no mar,
rodopios nas estações do ano,
pinta o Sol, desenha as nuvens;
E é do mistério da Lua que vem teu silencio,
que brilha teus olhos,
que vira mulher,
enfeitiça o andarilho da estrada,
o caçador de palavras,
acorda os felinos, a coruja e as cobras,
apronta o espetáculo da noite,
com um véu cintilante de estrelas,
para celebrar o amor de rainha e de rei,
ao amanhecer...
Anna
24.04.2006
Wednesday, April 12, 2006
Criaturas

Olhares, sorrisos, gestos,
gente por todos os lugares,
por todos os cantos da Grande Casa,
onde há cores, das flores, dos bichos,
onde há movimento da Vida,
onde mora toda a gente,
gente que passa e olha as cores,
que sente o perfume das flores,
gente que ri, e que chora,
gente que toca, e que sente
gente que canta, e que ouve,
vida por todos os cantos,
crias da Mãe Natureza
Anna
10.04.2006

Olhares, sorrisos, gestos,
gente por todos os lugares,
por todos os cantos da Grande Casa,
onde há cores, das flores, dos bichos,
onde há movimento da Vida,
onde mora toda a gente,
gente que passa e olha as cores,
que sente o perfume das flores,
gente que ri, e que chora,
gente que toca, e que sente
gente que canta, e que ouve,
vida por todos os cantos,
crias da Mãe Natureza
Anna
10.04.2006
Friday, March 10, 2006
Mãe Terra II
Terra, solo sagrado,
a teia onde tecemos a vida,
onde plantamos,onde colhemos,
onde nos alimentamos,
onde bebemos,
onde amamos;
Façamos de nossos olhos os teus vigias, Mãe!
façamos de nossas faces, o teu espelho,
de nossas mãos, tuas ferramentas,
de nossas palavras, tuas ações,
de nossas sementes, o teu jardim...
Anna
10.03.2006
Wednesday, March 08, 2006

" Mães de minha mãe,
Antepassadas corajosas,
Guiai minhas mãos nas vossas,
Fazei-nos lembrar
De como acender a lareira
E manter sua chama viva"
(palavras celtas)
Que brilhai a jóia mais rara que me trouxe, dentro dos olhos meus,
Que todas as cores que teus olhos viram, mesclem-se à minha volta,
Que tudo que tuas mãos costuraram, virem o tecido que cobre minha cama,
Que os teus cozidos, sejam enfeitados pelo manjericão do meu quintal,
Que os fios dos teus cabelos, continue a ser o manto das tuas gerações,
Que a saia que rodaram, siga o ritmo da canção que danço,
Que tuas poesias, sejam minhas palavras de louvor,
Que teus sorrisos, perpetuem minha gargalhada pela vida,
Que tuas espadas de batalha, sejam a ponta da minha lança,
Que as flores que recebiam dos amores teus, sejam as sementes do meu jardim,
Que teus pés descalços e arredios, continuem a ensinar-me pisar na terra,
Que tuas lágrimas de cansaço, hoje salguem meu rosto de sensibilidade,
Que teus braços de trabalho e abraços, através dos meus abracem a filha tuaS,
Que tuas dádivas em viver com a natureza, sejam minha magia...
Anna
02.02.2006
Antepassadas corajosas,
Guiai minhas mãos nas vossas,
Fazei-nos lembrar
De como acender a lareira
E manter sua chama viva"
(palavras celtas)
Que brilhai a jóia mais rara que me trouxe, dentro dos olhos meus,
Que todas as cores que teus olhos viram, mesclem-se à minha volta,
Que tudo que tuas mãos costuraram, virem o tecido que cobre minha cama,
Que os teus cozidos, sejam enfeitados pelo manjericão do meu quintal,
Que os fios dos teus cabelos, continue a ser o manto das tuas gerações,
Que a saia que rodaram, siga o ritmo da canção que danço,
Que tuas poesias, sejam minhas palavras de louvor,
Que teus sorrisos, perpetuem minha gargalhada pela vida,
Que tuas espadas de batalha, sejam a ponta da minha lança,
Que as flores que recebiam dos amores teus, sejam as sementes do meu jardim,
Que teus pés descalços e arredios, continuem a ensinar-me pisar na terra,
Que tuas lágrimas de cansaço, hoje salguem meu rosto de sensibilidade,
Que teus braços de trabalho e abraços, através dos meus abracem a filha tuaS,
Que tuas dádivas em viver com a natureza, sejam minha magia...
Anna
02.02.2006
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