Sunday, July 22, 2012


Vinho

Conheço seus olhos
percebo seus passos
como bichos da floresta
seguimos o rastro
então encontro pingos tintos no chão
caídos da taça que está em sua mesa
enquanto escreves poemas
para aprisionar suas presas
Piso suave entre as ramagens
sigo as gotas e sei até onde vão
enxoto sua caça
e em gargalhadas engulo seu vinho
deixando os cacos espalhados nas folhas...

Anna
22.07.2012








Tuesday, April 03, 2012

Tempestade



Seus olhos perderam-se
seu sorriso também não encontrei
suas palavras viraram ecos nas montanhas
O Vento forte que passou, arrastou você
esparramou-o pelos cantos em que conversávamos
e eu quando percebi estava toda rasgada, mesmo assim procurei-o
andei pela floresta, quase senti seu cheiro, mas confundiu-me as narinas os aromas das ervas do rio
vasculhei pelo Vale para encontra-lo nas cores das flores, mas é outono e perdi você
ainda assim procurei os enfeites, mas dos rituais ficaram as ruínas de altares
A Tempestade acabou com tudo
derrubou os telhados e as paredes ruíram
a Dríade se assustou e tomou as raízes do jardim para plantá-lo no Olimpo
e de tanto que havia ali de nós dois
quando ela subiu aos céus com as ramas nas mãos, ficamos os dois esparramados pelas nuvens
Por isso quando dormimos aqui na Terra, as Estrelas que brilham são nossos sonhos a se encontrar...

... quando acordo, vou ler Poemas de outros poetas para ver se você está ali escondido
não está
então subo às Montanhas para ouvir seu nome em eco

AnnA
04.04.2012

Wednesday, March 21, 2012

Outono
Recomeço
ReSonhos e Poesias


Os olhos,
a pele
os beijos
as mãos


Nas folhas maduras das árvores
o brilho das pedras em suas raízes
o pássaro que voa em liberdade
o colibri que busca seu alimento nas flores
a fêmea e o macho que comemoram a floresta em renovação


e somente o Sol e a mãe Terra
que transam o Amor
nas tranças dos Anjos
no chão, no verde, com os bichos
e adentram pelas janelas... é que vivem Poesia


21.03.2012

Monday, October 03, 2011

A alma aquieta
a pele eriça
a boca saliva
os olhos brilham
a vida incorpora
a poesia chama pra dançar
pede a espera
já está chegando, já está chegando...

Anna
03.10.2011

Tuesday, March 22, 2011

 Um toque de Poema
Mesmo que a estrada tenha aberto em direções contrárias

...a visão do Vale jamais será esquecida


...os momentos nas Montanhas nos aproximaram ainda mais


e  mesmo tendo o Vento soprado forte entre as Vilas


as folhas ficaram em nossos cabelos


o mel em nossas línguas


os bichos aninhados...
 
E o outono traz generosamente os contornos da Poesia
 
é o princípio do renascimento, na contramão
 
as folhas que caem, são como a renovação
 
o alimento para a terra se preparar
 
e desabrochar em flores na primavera
 
Anna
22.03.2011

Tuesday, October 12, 2010

A Arte instiga-me, busca, me acompanha...a arte-palavra. As escritas/leituras.
No mesclar de olhares, de pensamentos-construções, nessa Arte-comunicação, poética, livre, profana...





A Arte convida-me a dançar
valsar entre as cores e aromas silvestres
na brisa da Manhã, no despertar, nos movimentos do balé cotidiano
na Tarde que sussurra novos pensamentos
na Noite calada e inspiradora de sonhos
Assim, na dança colorida da Primavera
a polinização, o acasalamento, a renovação
A história trazida, construida e guardada
em cada pétala do jardim
em cada gota de orvalho
em cada verso meu e teu
nas Poesias-Canções
E o baile do Tempo continua...

Monday, August 31, 2009

"Sensatez Profana "

Na normalidade da insensatez humana
tecida pelo vazio de palavras
nas grifes e na falta dos sentidos
na estupidez de querer apenas ter, sem ser
sem saber de onde vem a própria história
passando com o carro, sem olhar a estrada
não se importando com o pôr do Sol
e sentindo incomodo com o Vento a soprar na face
aprisionando as crianças em aparências engomadas
procurando o status capitalista
oferecendo em troca o próprio prazer da liberdade
jantares sem sabores
sorrisos pintados


Prefiro a anormalidade
atiro os sapatos
tomo o vinho e quebro a taça
brindo á ancestralidade
como e dou gargalhadas
visto-me apenas para cobrir a pele e enfeitar o corpo
sem que a roupa aperte-me a garganta
para que a fala seja a declamação da poesia
que os pés não percam a sensibilidade de pisar na terra
para que os braços estejam livres para um abraço
onde os olhos enxerguem as estrelas
e os sentidos conversem com a Lua e os bichos
onde os pirilampos ainda sejam elementais
junto com as salamandras e as ondinas
que em cada canto verde e florido seja reverenciada a Mãe
pois que seja dessa loucura
a fonte cristalina para se beber a Vida...

Anna
31.08.2009

Tuesday, March 03, 2009


Fênix de Prata


Vejo novas cores

rasgo-me ao Sol

arrebento-me inteira

jogando-me nas roseiras

estraçalho pensamentos

dispo-me em pele e alma

a Noite vem, cheia de Estrelas

e renasço, parida pela Lua


Anna

Sunday, February 08, 2009




Eclipse

Na Lua que sonhamos
nas Noites que fazemos os nossos próprios Sonhos
a eclipse que deixa o Céu cheio de mistérios
como o clarão do Tempo que deixa a história cheia de encantos

...

Somos da Arte
do Belo da Vida
dos deuses
da mãe Terra
do Vento, das Tempestades
somos da Lua e do Sol
de cada folha verde
de cada pétala de flor
de cada coral do Mar
...
somos peças de cristal
pedaços de cetim
perfumes, incensos
manjares e frutas
somos de Amor...

04.02.2009...sem calendário...apenas o Tempo


Anna

Monday, September 15, 2008




Palavras

"De tudo que o Mar me traz
de tudo que as Ondas levam
Dos cochichos do Vento
a bater na minha janela
Ficam-me as palavras, os versos
que encontro ao olhar Estrelas"...

Anna
15.09.2008

Monday, July 14, 2008


Movimento em sol

...
Preciso de um instrumento
que ensine-me a tocar
a melodia dos anjos e dos pássaros
para que misture-se no Universo
e fique guardada pelas areias da praia
sopre pelas rochas em volta do Mar
e esteja nos braços da mãe Terra
suspirando nos quatro elementos
e cantando os versos de Amor...


Anna

14.07.2008

Sunday, September 30, 2007


FÊNIX – Poesia Cigana

De conversa pra lá, de conversa pra cá
gira, gira, o mundo
dou flores pra quem quer ficar
ganho anéis de quem quer me dar
nada me derruba, nem me deixa triste
gosto de sorrir, não gosto de chorar
sacudo a saia e volto a dançar
acendo a fogueira e vou rodopiar
converso com a Lua
brindo o céu com vinho tinto
pego meus tecidos e vou colorir poesias
cheiro a flor do manjericão
e tomo a espada da luta das ancestrais
meu coração é protegido e é feito para pulsar
as palavras dos meus olhos são refletidas no espelho
e quem quiser comigo poetar
os versos são mesclas das conversas das Estrelas
que cochicham aos ouvidos dos mortais

Anna
27.09.2007

Thursday, August 02, 2007

fontes de inspirações jorram pelas pedras da cachoeira, como gotas de orvalho que escorrem pela tua pele...

Monday, July 23, 2007


Sagrado


Mesmo que não me reconheças mais entre os mortais,

minha poesia continua a esparramar-se entre as frestas do muro,

entre as ramas que trepam pelos tijolos,

a procurar o sabor da terra,

a experimentar as cores das flores,

a saborear o néctar num toque de língua no beijo do beija-flor,

a semear de silencio os cantos da estrada,

a esmo na rota do tempo;


Em todos os poetas há o toque das canções,

a melodia suave que passeia em notas por todas estações,

no tilintar das gotas de água que descem pelo céu,

e deitam na terra adentrando nas raízes,

a regá-las para o anuncio do Sol,

adornando-as para encantar os olhos que a espreitam,

quando brotam em forma-flor;

Nesse ciclo de fertilidade onde germinam versos,

onde desabrocham sonhos novos,

quando a poeta entra em si,

e ouve a madrugada contemplada pelas palavras,

inspirada pela Mãe do céu noturno, a rainha, amante do astro-rei

que conhece os mistérios e segredos,

que lê nos pensamentos,

da viajante adormecida,

que viram poemas acordados pela nova estação;


Aparece no jardim, nua

vinda pela escada de trepadeira,

veste-se apenas de seda-do-bicho,

alada de desejos, adentra na sala

aquece-se na lareira,

bebe tinto da bebida na taça,

e pousa suave em tua pele,

toma do mel de tua alma,

em dança de silêncios,

as asas se entrelaçam e esparramam pólen por todas paredes,

depois de colorir o jardim,

fica o colibri a proteger as flores,

e no tapete vermelho,

uma flor verbena...


Anna
23.07.2007

Sunday, April 01, 2007

Outono: recomeço

Outono, tempo das folhas


das páginas das árvores;


nesse tempo que sopra fresco nos pensamentos,


trazendo o brilho bonito do Sol da manhã,


sentirmos a liberdade em fazer parte dos ciclos naturais;


deveríamos olhar mais para as estrelas


caminhar pelas ruas a sentir o aroma das glicínias que desabrocham nos muros das casas,


guardar a gota de orvalho amanhecida nas folhas;


tocar mais os fios de nossos cabelos,


acariciar nossas peles,


sentindo as mudanças a cada estação;


perceber as cores diversas que movem-se em borboletas, em roupas de gente, em pétalas;


tudo transforma-se, assim como as folhas que amarelam tocadas pelos raios de sol,


tudo começa, e recomeça,


mas preserva-se a beleza de cada tempo,


de cada estação...



Anna


22.03.2007


Wednesday, February 21, 2007


Poetas

Chega o poeta, trazendo em sua nau o fio dourado que tece a manta dos deuses
a manta que cobre os poetas
que rouba-lhes as horas
que toma-lhes os pensamentos
que fisga-lhes o coração
e muda a direção dos seus olhares;
Como a deusa que tecia o manto dourado,
como a Noite proclamada por seu véu de estrelas,
como a fúria de Ártemis ao preservar a Vida,
assim ficaram poetas, eternizando imagens, sabores e cores;
Por isso a poesia é tocada pelas ondas que batem no casco da nau,
é tocada pela vista do horizonte,
é tocada pelas memórias deixadas pelos capitães em seus diários de bordo,
como a tocar a água salgada do oceano, de mesmo sabor da que escorre pela face,
como a pisar na terra com a festa do caís,
como ser tocada nas canções;
Na Idade Média, poetas eram feiticeiras,
aquelas que viam além do que os olhos podem ver,
e falavam coisas que não tinham tradução,
eram queimadas com seus livros e poções,
e entre as chamas ardentes, ainda celebravam a Natureza reverenciando as salamandras na fogueira;
Versos eternizam a história e tomam forma de poesia,
viajam por mares e céus,
instigam, percorrem, encorajam os segredos humanos,
beijam, tocam, transam com os deuses,
adormecem em nuvens,
despertam nos jardins coloridos de Sol,
tomam o Vento na rede da nau...

Anna

21.02.2007
(a imagem é de: balsa, doolin, clare, irlanda)

Sunday, September 24, 2006


Equinócio de Primavera
Tem poesia brotando
como flor da Estação
há poetas nas ruas
crianças nos quintais
rituais de encanto das borboletas
Equinócio da Primavera
cores do desejo
fazer festa para o Sol em sua metade do Dia
dançar para a Lua na realeza da Noite
ajeitar o guarda-roupa
estendendo os cetins
vestir-se ao mortal que se entregou aos deuses
fazer oferendas ao rio e ao Mar
convidar os pirilampos para enfeitar o jardim
esparramando pólen
reproduzindo as pétalas
acariciando a pele
do direito, gente
do avesso, bicho
nos olhos a Lua
no céu da boca as estrelas
assim deitar e sonhar
e levantar-se para o amanhecer
esparramando-se pela Terra
enquanto houver saia para dançar
enquanto houver lenha para a fogueira
enquanto houver vinho na taça
e só de amor fazer história
e da liberdade fazer amor

Anna
23.09.2006

Tuesday, July 11, 2006


Consagrar...

cada pulsação,
cada canção,
cada olhar,
cada jeito...

o par de asas

os cheiros,
as cores,
a cidade,
a mãe...

o par de asas

o mar,
as montanhas,
rios e cachoeiras,
o asfalto empoeirado...

o par de asas

o avô,
a matriarca,
meus fios de cabelos,
o jardim da casa...

o par de asas

o tesão,
o beijo,
as mãos,
e toda dança...

o par de asas

a arrumação
a desarrumação
a voz,
a audição...

o par de asas

o desassossego,
o plano,
a renda da saia,
o bordado da bisa...

o par de asas

os passos suaves,
as unhas felinas,
o pêlo da pele,
o amor selvagem...

o par de asas


Anna
07.07.2006

Monday, June 12, 2006




Alma Gitana

Sopro de Vento
Luz,
Tempestade,
Alvoroço do Tempo,
Quebrando fronteiras,
Confirmando o destino;

Gato arredio de olhos amarelos,
Pêlo macio,
Telhado agora é pouco,
Silêncio da noite,
Uivos rasgando o Ar,
Assobiando para a Lua;

Concerto de uma nota só,
Dança de quatro pernas,
Estrelas nos olhos,
Fogueira profana,
Que arde e não queima;

Estilhaços de vinho,
Ponta de punhal,
Colares, pingentes,
Tecidos coloridos como a Natureza,
Reverenciam a Vida, celebram liberdade...

Anna
13.06.2006