Monday, September 07, 2015



Repassando

Hoje passeei em outras cenas
não as que me tenho agora aos olhos
mas as que ficaram guardadas, como se em sonhos, gavetas, canções
Fui ao teu quintal
li e reli poemas
deparei-me com teus olhos
Talvez a Chuva traga-me o cheiro da madeira queimando
as chaminés, as lareiras
o gosto de vinho
Talvez a Chuva leve-me pelo tempo
em danças ciganas, em rodas de sorrisos
círculos de pedras
canteiros floridos
relva verde
cheiro de terra molhada
tuas mãos
minha saia que roda ao ritmo da canção alegre
Não sei se aqui ou lá
há uma Vila muito distante
Talvez a Chuva venha nos buscar
e leve-nos até lá
onde a ancestralidade ainda faz festa
Mas quando a Poesia me prepara a voltar
olho e fico, 
preciso ainda costurar a saia
ajeitar os enfeites
preparar os pratos e as frutas
Talvez a Chuva vá te buscar...

Anna

07.09.2015

Thursday, December 18, 2014

Tereza e Maria

Passeei pelas estradas
até avistar o rio
as águas que teus olhos contemplaram
cheguei na vila, senti o ar
abracei os teus, tão meus agora
sorrisos e falas criados por ti
pisei nas ruas, sentei na praça
comi do jambo
saboreei a manga, a poesia
participei da alegria festiva
da música regional
dos passos de dança
me reconheci na maioria deles
Itália tão presente,
nas gargalhadas e sangue quente
adentrei na igreja que abençoou o enlace
que desses laços nos trouxeram do lado de cá do oceano
dois dias e duas noites em que voltei no tempo
olhei o passado
e abracei o presente
Estivemos em festa com a ancestralidade...

Anna
dezembro/2014




Tuesday, December 02, 2014

Últimas palavras

Tentei falar-te em versos
em músicas, em cores
enviando beija-flores, borboletas em teu jardim
Tentei falar-te pela Lua 
até estrela cadente em teu quintal foi te chamar
sussurrei canções, gritei por teu nome
Então agora deixo somente o som do Silencio


Anna
30.11.2014


Sunday, November 23, 2014

Gosto é de palavras doces
tintas, licorosas
É da Poesia que gosto
é nas entrelinhas que andarilho
Nessa peregrinação artística
é que estão minhas rezas e ladainhas
Gosto dos avessos
verdadeiras clamações da alma
Visto-me e enfeito-me
dos desejos da escrita
(Anna)
23.11.2014




Tuesday, November 04, 2014

Em sonhos

Se hoje te visito, 
é em sonhos
sonhos de cristais
sonhos de estrelas e de luar
sonhos com cores e tecidos
com perfumes de jardins
sonhos com brisas de estradas
Sonhos sem fim...

Anna
04.11.2014


Tuesday, July 23, 2013




Cheiro de Inverno

Madeira trepidando na lareira
Gosto tinto na boca
Passeio na história, pela memória ancestral
Misturo-me à gente de outro lugar
Meus olhos veem a paisagem, totalmente diferente dessa que vivo
Ouço músicas alegres, talvez vindas das tabernas, ou até dos quintais dos vilarejos
Ando e respiro as cores, os sons, os sabores
Procuro por você, talvez teus beijos molhem minha língua a cada gole tinto
Talvez teus olhos possam ver toda a paisagem, de dentro dos meus
Talvez possamos dançar no mesmo passo as músicas que se expandem pelo ar
Talvez tuas mãos toquem as minhas enquanto escrevo
Mas a certeza é que você caminha comigo, sinto até seu sorriso pra toda a gente das Vilas
E sei que estás nos meus olhos...até que chegue a outra Estação

Anna

23.07.2013

Sunday, July 14, 2013

Flores, folhas, cores e sons
cheiro de Amor
esparramado pelo pólen da Natureza
atravessando os ares, eternizando o Tempo... 

Anna
14.07.2013

Sunday, February 03, 2013


Relógio

Quando retorno às minhas terras
aos meus sonhos
Quando me vejo frente a um universo desconhecido por esses meus passos
mas  que até os atalhos minha alma conhece
é aí que te encontro
é aí que encontro-me

Meus olhos estão dentro dos teus
nossos cabelos voam no mesmo Vento, embaraçando-se um ao outro
não falamos, nem dizemos nada
e sabemos até dos pensamentos um do outro
E seguimos rumo à mesma direção
onde sabemos que está o começo das nossas histórias
onde sabemos que estão as sementes de nossas Poesias
onde tocam as canções que sabemos dançar

É lá que está nosso quintal, nossas plantas, nossas flores
o vinho que é servido na mesa, o perfume da casa
os sorrisos da gente de lá, as emoções
a festa e a guerrilha
as roupas, os chapéus

Mas o relógio já aponta as horas
já se faz um outro tempo
e temos que voltar, regressar para onde nem sabemos

Perdi o horário e quando sai você já havia partido para a estrada
Perdemos-nos, e então passamos dias, anos, a procurar...
E seguimos perdidos no Tempo...

©AnnA 

03.02.2013

Thursday, January 24, 2013

Preciso apressar-me com a Poesia
já seguem dias do novo Ano e ainda não entreguei-me a escreve-la
mergulho apenas no inesperado, na liberdade das horas
e somente agora lembrei-me das escritas
e está tudo tão solto, desembaraçado, o percurso das palavras
que deixando-me olhá-las, já transformam-se arbitrariamente em poesias...

até logo palavras escritas, deixem-me depurar mais um tanto das imagens...livremente, livremente...depois volto para contar-lhes


AnnA
24.01.2013

Sunday, July 22, 2012


Vinho

Conheço seus olhos
percebo seus passos
como bichos da floresta
seguimos o rastro
então encontro pingos tintos no chão
caídos da taça que está em sua mesa
enquanto escreves poemas
para aprisionar suas presas
Piso suave entre as ramagens
sigo as gotas e sei até onde vão
enxoto sua caça
e em gargalhadas engulo seu vinho
deixando os cacos espalhados nas folhas...

Anna
22.07.2012








Tuesday, April 03, 2012

Tempestade



Seus olhos perderam-se
seu sorriso também não encontrei
suas palavras viraram ecos nas montanhas
O Vento forte que passou, arrastou você
esparramou-o pelos cantos em que conversávamos
e eu quando percebi estava toda rasgada, mesmo assim procurei-o
andei pela floresta, quase senti seu cheiro, mas confundiu-me as narinas os aromas das ervas do rio
vasculhei pelo Vale para encontra-lo nas cores das flores, mas é outono e perdi você
ainda assim procurei os enfeites, mas dos rituais ficaram as ruínas de altares
A Tempestade acabou com tudo
derrubou os telhados e as paredes ruíram
a Dríade se assustou e tomou as raízes do jardim para plantá-lo no Olimpo
e de tanto que havia ali de nós dois
quando ela subiu aos céus com as ramas nas mãos, ficamos os dois esparramados pelas nuvens
Por isso quando dormimos aqui na Terra, as Estrelas que brilham são nossos sonhos a se encontrar...

... quando acordo, vou ler Poemas de outros poetas para ver se você está ali escondido
não está
então subo às Montanhas para ouvir seu nome em eco

AnnA
04.04.2012

Wednesday, March 21, 2012

Outono
Recomeço
ReSonhos e Poesias


Os olhos,
a pele
os beijos
as mãos


Nas folhas maduras das árvores
o brilho das pedras em suas raízes
o pássaro que voa em liberdade
o colibri que busca seu alimento nas flores
a fêmea e o macho que comemoram a floresta em renovação


e somente o Sol e a mãe Terra
que transam o Amor
nas tranças dos Anjos
no chão, no verde, com os bichos
e adentram pelas janelas... é que vivem Poesia


21.03.2012

Monday, October 03, 2011

A alma aquieta
a pele eriça
a boca saliva
os olhos brilham
a vida incorpora
a poesia chama pra dançar
pede a espera
já está chegando, já está chegando...

Anna
03.10.2011

Tuesday, March 22, 2011

 Um toque de Poema
Mesmo que a estrada tenha aberto em direções contrárias

...a visão do Vale jamais será esquecida


...os momentos nas Montanhas nos aproximaram ainda mais


e  mesmo tendo o Vento soprado forte entre as Vilas


as folhas ficaram em nossos cabelos


o mel em nossas línguas


os bichos aninhados...
 
E o outono traz generosamente os contornos da Poesia
 
é o princípio do renascimento, na contramão
 
as folhas que caem, são como a renovação
 
o alimento para a terra se preparar
 
e desabrochar em flores na primavera
 
Anna
22.03.2011

Tuesday, October 12, 2010

A Arte instiga-me, busca, me acompanha...a arte-palavra. As escritas/leituras.
No mesclar de olhares, de pensamentos-construções, nessa Arte-comunicação, poética, livre, profana...





A Arte convida-me a dançar
valsar entre as cores e aromas silvestres
na brisa da Manhã, no despertar, nos movimentos do balé cotidiano
na Tarde que sussurra novos pensamentos
na Noite calada e inspiradora de sonhos
Assim, na dança colorida da Primavera
a polinização, o acasalamento, a renovação
A história trazida, construida e guardada
em cada pétala do jardim
em cada gota de orvalho
em cada verso meu e teu
nas Poesias-Canções
E o baile do Tempo continua...

Monday, August 31, 2009

"Sensatez Profana "

Na normalidade da insensatez humana
tecida pelo vazio de palavras
nas grifes e na falta dos sentidos
na estupidez de querer apenas ter, sem ser
sem saber de onde vem a própria história
passando com o carro, sem olhar a estrada
não se importando com o pôr do Sol
e sentindo incomodo com o Vento a soprar na face
aprisionando as crianças em aparências engomadas
procurando o status capitalista
oferecendo em troca o próprio prazer da liberdade
jantares sem sabores
sorrisos pintados


Prefiro a anormalidade
atiro os sapatos
tomo o vinho e quebro a taça
brindo á ancestralidade
como e dou gargalhadas
visto-me apenas para cobrir a pele e enfeitar o corpo
sem que a roupa aperte-me a garganta
para que a fala seja a declamação da poesia
que os pés não percam a sensibilidade de pisar na terra
para que os braços estejam livres para um abraço
onde os olhos enxerguem as estrelas
e os sentidos conversem com a Lua e os bichos
onde os pirilampos ainda sejam elementais
junto com as salamandras e as ondinas
que em cada canto verde e florido seja reverenciada a Mãe
pois que seja dessa loucura
a fonte cristalina para se beber a Vida...

Anna
31.08.2009

Tuesday, March 03, 2009


Fênix de Prata


Vejo novas cores

rasgo-me ao Sol

arrebento-me inteira

jogando-me nas roseiras

estraçalho pensamentos

dispo-me em pele e alma

a Noite vem, cheia de Estrelas

e renasço, parida pela Lua


Anna

Sunday, February 08, 2009




Eclipse

Na Lua que sonhamos
nas Noites que fazemos os nossos próprios Sonhos
a eclipse que deixa o Céu cheio de mistérios
como o clarão do Tempo que deixa a história cheia de encantos

...

Somos da Arte
do Belo da Vida
dos deuses
da mãe Terra
do Vento, das Tempestades
somos da Lua e do Sol
de cada folha verde
de cada pétala de flor
de cada coral do Mar
...
somos peças de cristal
pedaços de cetim
perfumes, incensos
manjares e frutas
somos de Amor...

04.02.2009...sem calendário...apenas o Tempo


Anna

Monday, September 15, 2008




Palavras

"De tudo que o Mar me traz
de tudo que as Ondas levam
Dos cochichos do Vento
a bater na minha janela
Ficam-me as palavras, os versos
que encontro ao olhar Estrelas"...

Anna
15.09.2008