Sunday, September 30, 2007


FÊNIX – Poesia Cigana

De conversa pra lá, de conversa pra cá
gira, gira, o mundo
dou flores pra quem quer ficar
ganho anéis de quem quer me dar
nada me derruba, nem me deixa triste
gosto de sorrir, não gosto de chorar
sacudo a saia e volto a dançar
acendo a fogueira e vou rodopiar
converso com a Lua
brindo o céu com vinho tinto
pego meus tecidos e vou colorir poesias
cheiro a flor do manjericão
e tomo a espada da luta das ancestrais
meu coração é protegido e é feito para pulsar
as palavras dos meus olhos são refletidas no espelho
e quem quiser comigo poetar
os versos são mesclas das conversas das Estrelas
que cochicham aos ouvidos dos mortais

Anna
27.09.2007

Thursday, August 02, 2007

fontes de inspirações jorram pelas pedras da cachoeira, como gotas de orvalho que escorrem pela tua pele...

Monday, July 23, 2007


Sagrado


Mesmo que não me reconheças mais entre os mortais,

minha poesia continua a esparramar-se entre as frestas do muro,

entre as ramas que trepam pelos tijolos,

a procurar o sabor da terra,

a experimentar as cores das flores,

a saborear o néctar num toque de língua no beijo do beija-flor,

a semear de silencio os cantos da estrada,

a esmo na rota do tempo;


Em todos os poetas há o toque das canções,

a melodia suave que passeia em notas por todas estações,

no tilintar das gotas de água que descem pelo céu,

e deitam na terra adentrando nas raízes,

a regá-las para o anuncio do Sol,

adornando-as para encantar os olhos que a espreitam,

quando brotam em forma-flor;

Nesse ciclo de fertilidade onde germinam versos,

onde desabrocham sonhos novos,

quando a poeta entra em si,

e ouve a madrugada contemplada pelas palavras,

inspirada pela Mãe do céu noturno, a rainha, amante do astro-rei

que conhece os mistérios e segredos,

que lê nos pensamentos,

da viajante adormecida,

que viram poemas acordados pela nova estação;


Aparece no jardim, nua

vinda pela escada de trepadeira,

veste-se apenas de seda-do-bicho,

alada de desejos, adentra na sala

aquece-se na lareira,

bebe tinto da bebida na taça,

e pousa suave em tua pele,

toma do mel de tua alma,

em dança de silêncios,

as asas se entrelaçam e esparramam pólen por todas paredes,

depois de colorir o jardim,

fica o colibri a proteger as flores,

e no tapete vermelho,

uma flor verbena...


Anna
23.07.2007

Sunday, April 01, 2007

Outono: recomeço

Outono, tempo das folhas


das páginas das árvores;


nesse tempo que sopra fresco nos pensamentos,


trazendo o brilho bonito do Sol da manhã,


sentirmos a liberdade em fazer parte dos ciclos naturais;


deveríamos olhar mais para as estrelas


caminhar pelas ruas a sentir o aroma das glicínias que desabrocham nos muros das casas,


guardar a gota de orvalho amanhecida nas folhas;


tocar mais os fios de nossos cabelos,


acariciar nossas peles,


sentindo as mudanças a cada estação;


perceber as cores diversas que movem-se em borboletas, em roupas de gente, em pétalas;


tudo transforma-se, assim como as folhas que amarelam tocadas pelos raios de sol,


tudo começa, e recomeça,


mas preserva-se a beleza de cada tempo,


de cada estação...



Anna


22.03.2007


Wednesday, February 21, 2007


Poetas

Chega o poeta, trazendo em sua nau o fio dourado que tece a manta dos deuses
a manta que cobre os poetas
que rouba-lhes as horas
que toma-lhes os pensamentos
que fisga-lhes o coração
e muda a direção dos seus olhares;
Como a deusa que tecia o manto dourado,
como a Noite proclamada por seu véu de estrelas,
como a fúria de Ártemis ao preservar a Vida,
assim ficaram poetas, eternizando imagens, sabores e cores;
Por isso a poesia é tocada pelas ondas que batem no casco da nau,
é tocada pela vista do horizonte,
é tocada pelas memórias deixadas pelos capitães em seus diários de bordo,
como a tocar a água salgada do oceano, de mesmo sabor da que escorre pela face,
como a pisar na terra com a festa do caís,
como ser tocada nas canções;
Na Idade Média, poetas eram feiticeiras,
aquelas que viam além do que os olhos podem ver,
e falavam coisas que não tinham tradução,
eram queimadas com seus livros e poções,
e entre as chamas ardentes, ainda celebravam a Natureza reverenciando as salamandras na fogueira;
Versos eternizam a história e tomam forma de poesia,
viajam por mares e céus,
instigam, percorrem, encorajam os segredos humanos,
beijam, tocam, transam com os deuses,
adormecem em nuvens,
despertam nos jardins coloridos de Sol,
tomam o Vento na rede da nau...

Anna

21.02.2007
(a imagem é de: balsa, doolin, clare, irlanda)